E AQUI FICAM NOSSAS PALAVRAS LAVADAS, PARA QUE SE SEQUEM DE NOSSOS SENTIMENTOS.

domingo, 21 de outubro de 2007

Eram apenas 6 horas da manhã de sexta. Arregalou os olhos e em um surto de medo quiz se certificar de que ele ainda estava ali.
Alívio. Estava ao lado da mesma maneira como antes de fechar os olhos, e adormecer.
Era medo de perder, de trocar, de não satisfazer.
O relógio tocou interrompendo a cena. Ela o observava dormindo angelical.
Fingiu estar num sonho profundo quando ele se deu conta de que horas eram. Afinal, orgulhosa que só, não demonstraria que estava ali, com olhares famintos de amor.
Ele levanta, calça havaiana branca, abre a janela.
Dá-lhe um beijo na testa, passa os dedos entre os fios longos do cabelo preto.
Bom dia! Já esta na hora, tenho viagens a fazer. Preciso ir.
Ainda na cama ela faz cara de quem quer que o mundo desligue. Levanta, calça havaiana lilás, abraça-o forte e diz:
Boa Sorte, volte logo.

Ele não voltou. Azar, ela também não.
Eram apenas 6 horas da manhã. Acorda, olha para lado.
Esfregam os olhos já molhados de saudade.
Droga!
...
Amanhã é segunda, pequena! Chama a mãe, a tia e a vó.
Põe mais um prato na mesa e faz pudim
Porque eu to voltando!


“A vida é regida por uma série de fatores que não cabem a nós, e são poucas as escolhas que podemos fazer.”

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Vento, ventaniaaa..


Enquanto a chuva não passar, as roupas ficarão no balaio. Vou pegar meu guarda-chuva.

sábado, 22 de setembro de 2007

O teatro mágico de cada dia

Quem é adepto da boa música e que ainda não conhece O Teatro Mágico não sabe o que está perdendo. Tive a oportunidade de assistir ao show de Fernando Anitelli e sua trupe na minha cidade, e foi maravilhoso. Eu não conhecia uma música, mas algumas horas de show foram suficientes para me apaixonar por tudo: a melodia, as letras, como eles brincam com as letras, a interpretação, o circo, o teatro, a poesia, as acrobacias, as palhaçadas, tudo e tudo. Está mais do que indicado.




Ana e o Mar - Fernando Anitelli

Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar
Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol
Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar
Ana e o mar... mar e Ana
Histórias que nos contam na cama
Antes da gente dormir
Ana e o mar... mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar
Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor... Ana e o mar

sábado, 8 de setembro de 2007

Shoah – Império da Insanidade


O que dizer da criança quieta, de expressão tímida, e que quando jovem despertou vocação ao celibato? Nada, indiferente. Só que a indiferença fez toda a diferença, em meados do século XX, no contexto da Segunda Guerra Mundial.

A criança constituiu-se homem, de influência política, chanceler, contracenando num Império, o terceiro, que cultivava características extremamente peculiares. Sua mente rodopiava em idéias, calculismo, burocracia e fanatismo. O clima de tensão no Reich alimentava sua paranóia e a vaidade de sua raça: a ariana, pura e superior.

Enfim, o cargo de chefe de Estado foi-lhe concedido com a morte de Hidenburg, até então presidente do Império. Foi seu momento de maior euforia. Um império que seria só seu, perfeito, sublime. Mas, para isso, continuou o que Hidenburg planejava só que mais rápido, em pouco tempo. Era preciso eliminar as Mazelas da sociedade, todos os Problemas que assolavam o andamento do Império e que inibiam a potência do mesmo: judeus, negros, meio judeus, ciganos, essas culturas inferiores.

Primeiro passo, do boicote econômico à represália cultural. As lojas judias eram pichadas com a estrela-de-davi junto com a palavra Jude. Os judeus não podiam mais prestar serviços públicos, autônomos ou exercer profissões. Não podiam praticar esportes e fazer cultos. Sinagogas foram destruídas, e a literatura queimada. Não serviam para nada em todos os aspectos, como uma pedra no sapato da nação.

Segundo passo, fechamento do círculo: o prenúncio da catástrofe. Se essas pessoas são inúteis, o que fazer com elas? Uma rede de cadeias especiais estava formando-se, e todos esses judeus eram levados até esses locais por meio de ferrovias também especiais. Nessas cadeias, ou melhor, campos de concentração, os judeus trabalhavam até “morrerem” e se não morriam padeciam de doenças, supervisionados por médicos que adoravam fazer experimentos, ainda mais com cobaias vivas e humanas. Ao mesmo tempo, o Imperador autorizava a prática de eutanásia em deficientes físicos, doentes e mesmo crianças.

Terceiro passo, o extermínio como Solução Final. As cadeias estavam ficando saturadas, então, inicialmente, os prisioneiros ficaram à mercê de uma seleção natural, os que resistissem à morte seriam tratados como tal. Com isso, em 1942, surgiu, definitivamente, o termo Endlösung, de Reinhard Heydrich, que banhou cerca de 11 milhões de judeus com monóxido de carbono e Cyclon B, principalmente na cadeia especial de Aushiwitz-Birkenau. Como os corpos iam acumulando-se numerosamente, foram criados crematórios de intenso funcionamento, entregando os corpos dos judeus às chamas do mesmo jeito que vieram ao mundo: nus e sem os dentes de ouro.

E a Solução Final estendeu-se por todo o Império ariano até começar a ser exposta pela mídia internacional. O castelo de areia daquela criança tímida foi perdendo-se grão a grão. Ministros, conselheiros, médicos, militares e assistentes de seu Império foram julgados e condenados. Em fevereiro de 2000, Johannes Rau, presidente alemão na época, declarou:

“Peço perdão pelo que os alemães fizeram, por minha geração, pela dos meus filhos e a dos filhos dos meus filhos, que eu gostaria de ver no futuro mantendo boas relações com os filhos de Israel.”


Adolf Hitler suicidou sem pedir perdão.

sábado, 18 de agosto de 2007



Eu te odeio.
Eu ainda te odiar significa que nem por um dia eu deixei de pensar. Que o mais intenso dos meus sentimentos foi voltado a isso.
Eu te odiei do momento em que sumistes daqui, até a hora em que voltasses a me procurar.
E eu te odiei por me fazer sentir tanta a tua ausência.
Eu odeio o modo irritante de como tiras o meu sono. O modo como me traz instabilidade em dias de calmaria.
E eu odeio te perdoar. Odiei não conseguir rasgar tuas fotos, apagar os teus recados e me desfazer dos teus presentes.
Odeio ainda sentir o gosto amargo do teu descaso. Lembrar-me de você em toda lua cheia.
Odiei ainda mais precisar encarar a vida sem ti, dar passos cegos e até procurar outros caras.
Odeio ficar comparando pessoas a você e saber mesmo assim que ninguém fará comigo o que tu ainda fazes.
Odeio ver o relógio parado no tempo em que você se foi. Ter provas reais de que o destino vive a brincar conosco. Ainda te odeio tanto.
Eu odeio confundir o teu andar pelas ruas, buscar olhares perdidos e nao ouvir o teu pulsar.
Odeio a nossa musica no radio e lembrar-te a cada 26 dias.
E te odeio porque sei que não percebes que te odiar é o mais visível traço de que ainda te tenho em mim. De forma íntima e inabalável.
Eu te odeio por nunca ter conseguido afogar-te nas minhas memórias feitas minuciosamente pelos teus toques e trejeitos.
Odeio o fato de só tu não entenderes.
Odeio te conhecer tão bem e saber que pra ti as coisas não são assim.
Eu te odeio, por levar um segundo para entrar e uma eternidade para sair da minha vida.
Eu odeio que seja você o dono da aquarela. O jeito que me envolves.
Eu odeio te ver como solução.
Odeio o atraso que me causas e a rapidez com que me esqueces.
Eu odeio ter tanta certeza de que ainda te amo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Cartinhas


Revirando recortes e adesivos velhos dentro de minhas caixas de recordações, reencontrei uma cartinha que recebi quando estava na 3ª série do primário. É impressionante como o vulgo Amor torna-se algo curioso e, ao mesmo tempo, inocente aos olhos de uma criança.

Voltando a minha cartinha, lembro-me de que dentro do seu envelope veio uma lapiseira, um papel com alguns dizeres sobre fatos da época (essa crônica não achei, uma pena) e um marca-páginas com uma mensagem. No final do texto, vem escrito meu nome e do garotinho da 4ª série que escreveu para mim. Como foi bom ser criança!

"Se algum dia ficar curiosa pra conhecer alguém, não espere que o destino o traga para perto de você, vá ao encontro desse alguém e lhe diga: eu fiz o destino trazer você a mim."

Obrigada pela cartinha, Gutierre. :)

domingo, 5 de agosto de 2007

Vivendo na gaiola deles


Tudo começa com paranóia. Não a paranóia de sempre, aquela desconfiança e suspeita exageradas, sem respostas. Falo de algo próximo de uma paranóia discreta, difícil de ser reconhecida, ainda mais tratando-se de algo silencioso na rotina.


Silencioso porque não é todo dia que alguém externa essa sensação. É mais um sentimento daqueles que os olhos capturam daquilo que vêem e guardam-no imediatamente no inconsciente, sendo reconhecido outra hora na leitura ou vivência de algo parecido.


Não faltando uma pitada de cultura inútil, nas temporadas de reality shows, os programas de celebridades besteirol questionam o incômodo de viver diante de câmeras. O que muitos esquecem é que essas lentes são apenas artificiais, e que há piores lentes monitorando-nos diaramente.


Este insight incoerente surgiu debaixo de uma ponte quando eu parara num sinal. Comecei a observar as pessoas transitando e reparar coisas como modo de andar, destino, roupas, gestos etc. Alguém distante e oculto pode acompanhar os passos de outrem sem que este o perceba. Detalhe: o anonimato pode ser mantido por uma vida inteira!


Já parou para pensar que alguém pode estar observando você há dias, meses, anos..?


Vivemos numa grande superposição de gaiolas em que todos percebem todos, ninguém percebe ninguém, e a vida continua. A menina da tiara rosa pulando no banco do circular amarelo. Os dois amigos que conversam gesticulando e com passos trocados. A mulher que trata mal os funcionários do Habib's. O segurança do estacionamento que não vê a hora de encerrar o serviço. O vestibulando que não consegue resolver uma questão e come duas barras de chocolates. Um admirador secreto que me mandou uma rosa na Creperia. Os sorrisos de crianças brincando no parque. A felicidade da noiva ao jogar o buquê. O olhar decepcionado do pai que acaba de descobrir a mentira do filho..


Vivemos nas gaiolas deles, e eles nas nossas.